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Vendaval de corrupção afeta Dilma e encurrala Eduardo Cunha

 
A presidente Dilma, em Brasília, no dia 3 de março de 2016O Brasil mergulhou nesta quinta-feira em um lamaçal de denúncias vinculadas ao escândalo de corrupção na Petrobras: o suposto depoimento de um senador governista que envolveria a presidente Dilma Rousseff no caso e a decisão do STF de julgar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
 
As notícias caíram como uma bomba em Brasília, em um dia negro que começou com a notícia de que a economia recuou 3,8% em 2015 e o país se encaminha para sua pior recessão em um século.
A revista IstoÉ publicou nesta quinta-feira supostas declarações do senador governista Delcídio Amaral, nas quais ele acusaria a presidente de tentar obstruir a investigação de Petrobras com a nomeação de um juiz de apelação alinhado com o seu governo, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) de estar a par do esquema de corrupção.
 
O artigo despertou a ira do governo e a própria presidente alertou, indignada, que os vazamentos à imprensa não podem ser usados como arma política. Dilma não mencionou Amaral, implicado no "Petrolão", e que, segundo a publicação, teria feito um acordo de delação premiada para reduzir uma eventual pena.
 
"Os vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais devem ser repudiados e ter sua origem rigorosamente investigada, já que ferem a lei, a justiça e a verdade", declarou Dilma em um comunicado.
 
"Repudiamos, em nome do Estado democrático de direito, o uso abusivo de vazamentos como arma política" porque "não contribuem para a estabilidade do país", acrescentou.
O advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também assumiu a defesa da chefe de Estado e disse que as acusações eram "um conjunto de mentiras".
 
(Arquivo) O chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, em Brasília, no dia 19 de janeiro de 2016Em meio ao clima de crise, o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, disse que a presidente recebeu a notícia "com indignação" e está "preocupada".
 
Consultada pela AFP, a procuradoria da República informou que inexiste acordo de colaboração com Amaral, ex-líder do PT no Senado e um dos apoiadores de Dilma Rousseff no Congresso, até ser preso, acusado de obstruir as investigações sobre corrupção na Petrobras.
 
As delações premiadas só vêm a público após homologadas pela Suprema Corte.
Amaral passou quase 90 dias preso por oferecer dinheiro e rota de fuga a um dos ex-diretores da Petrobras que estão detidos e, desde meados de fevereiro responde ao processo em liberdade.
 
O senador publicou um comunicado nesta quinta-feira, no qual não confirma as afirmações atribuídas a ele pela IstoÉ e que foram particularmente duras com Lula, o maior capital político do atribulado PT, no poder desde 2003.
 
"Nem o senador Delcídio, nem sua defesa confirmam o conteúdo do artigo (...) Não conhecemos a origem, tampouco reconhecemos a autenticidade do documento que está anexado ao texto", destacou o comunicado.
 
Bispo encurralado
Eduardo Cunha, um astuto político que está em guerra declarada com a presidente Dilma, se tornou nesta quinta-feira o primeiro parlamentar com foro privilegiado que irá se sentar no banco dos réus para responder pelo esquema de corrupção que desviou mais de 2 bilhões de dólares da Petrobras.
 
O STF decidiu, por unanimidade, julgá-lo por receber propina para facilitar um negócio de dois navios-sonda do estaleiro Samsung Heavy Industries para a Petrobras entre junho de 2006 e outubro de 2012.
 
(Arquivo) O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em Brasília, no dia 16 de fevereiro de 2016 O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em Brasília, no dia 16 de fevereiro de 2016
Terceiro na linha de sucessão presidencial e conhecedor dos meandros do Congresso, Cunha foi acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro para facilitar a transação, segundo a acusação da procuradoria-geral.
Figura proeminente na crise política que abala o Brasil, Cunha deu luz verde em dezembro a um pedido de impeachment contra Rousseff por adulteração de contas públicas. Ele já antecipou que não deixará o cargo.
O presidente da Câmara dos Deputados também está envolvido em casos que investigam se ocultou contas no exterior e mentiu para os colegas parlamentares. Ligado à Igreja evangélica, ele comemorou ao chegar à presidência da Câmara em um templo que, segundo a procuradoria, também teria servido para desviar recursos ilegais, maquiados como doações.
 
A "Operação Lava Jato" é considerada a maior investigação sobre corrupção da história do Brasil e já enviou para a prisão ou ameaça fazê-lo com parlamentares, governadores, ex-funcionários e alguns dos principais empresários do país.
 
Ao fim de um dia agitado, a bolsa de São Paulo subiu a 5,12% e o real se valorizou perante o dólar, em uma nova reação positiva em meio a um escândalo com potencial para mudar o rumo político do país.msn

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