Policia

Mulher morta por bala perdida em Narandiba faria festa de noivado este mês

“Acorde, filha, acorde antes da benção final, não posso ficar sem você. Por favor, levante, vamos pra casa”. Os apelos dessa mãe eram a expressão da incredulidade e da revolta que marcou o sepultamento da funcionária da Prefeitura de Salvador, Jucinara dos Santos da Hora, 33, no final da manhã desse sábado, no cemitério Municipal de Brotas. A comoção foi tamanha que a senhora precisou ser amparada pelos familiares e foi retirada do local.
(Foto: Almiro Lopes/CORREIO)
O espaço ficou pequeno para o número de familiares e amigos que foram prestar as homenagens finais à vítima de uma bala perdida, durante um ataque ao soldado reformado da Polícia Militar Ari Bacelar de Oliveira, 49, no bairro de Narandiba. A jovem – que passava pela Avenida Edgar Santos em direção à Igreja, onde ia todas as quintas-feiras para a reunião de Adoração ao Santíssimo - levou um tiro no abdômen, foi submetida a cirurgia, mas faleceu na madrugada da última sexta(12).
De acordo com a amiga da família, a professora Renécia Figueiredo, Jucinara faria sua festa de noivado no próximo dia 21 e já estava com a casa montada em Plataforma. “Ela era uma pessoa especial, muito católica e uma alma verdadeiramente boa, de paz. O que aconteceu é revoltante”, diz, ressaltando que a capital baiana se tornou um lugar excessivamente violento. “Hoje, dirijo para o Uber, mas às 17 horas recolho meu carro porque virou uma temeridade ficar na rua”, completa.
O tempo todo amparado pelos familiares e amigos, o noivo de Jucinara, Marcus Vinicius estava inconsolável e parecia também não acreditar na tragédia. Em diversos momentos, ele precisou sentar para não ceder à dor. Uma amiga que preferiu não revelar o nome, mas que todo o tempo do velório voltava para amparar o rapaz, disse que na hora de tanta dor, só a fé para acalmar o coração e aliviar tamanha perda. “Deus a chamou para próximo Dele porque ela era uma pessoa boa”, finalizou.
Crime
Segundo o cunhado da vítima, Alex Almeida, 35, foi um amigo que trabalha como motorista da Uber quem viu Jucinara caída no chão ferida. "Ela estava indo para a igreja, que fica a poucos minutos de casa, quando aconteceu isso. Um amigo nosso estava rodando, pegou ela, botou no carro e levou para o [Hospital Geral] Roberto Santos e, no caminho, ligou para nós", disse.

Alex trabalha como vendedor ambulante e, quando o amigo ligou para avisar, não pode atender ao telefonema. Ele, então, ligou para a irmão da administradora. "Eu estava trabalhando, mas moramos perto do local do crime. Quem estava em casa ouviu os tiros na rua e depois começaram as ligações", contou.
(Foto: Reprodução)
Jucianara levou um tiro no abdômen, chegou a passar por uma cirurgia, mas por volta das 4h de hoje morreu. "Ela perdeu muito sangue, teve parada cardíaca e não resistiu", conta Alex.
O corpo de Jucinara ainda não foi liberado para a família, que está organizando o sepultamento, mas ainda não tem horário ou local definido. Ela era formada em Administração, com habilitação em RH, e trabalhava como Assistente Administrativa na Casa Civil da Prefeitura de Salvador.
Casamento
Jucinara estava de férias do trabalho e aproveitava para organizar os preparativos para seu casamento previsto para acontecer em setembro. "Ela estava adiantando as coisas. O noivo ficou desesperado quando soube. Ainda está. Eles já tinham comprado a casa. Tudo que tinham sonhado. Queriam filhos...", lamentou o cunhado. Ainda de acordo com ele, Jucinara pretendia prestar concursos públicos e fazia cursinho preparatórios.

Ataque
Jucinara estava passando na rua, próximo à rótula do Hospital Juliano Moreira, quando suspeitos armados chegaram e atiraram na direção do soldado reformado da Polícia Militar Ari Bacelar de Oliveira, 49, que estava conversando com um amigo na rua. 

O policial foi atingido por tiros na cabeça. O amigo dele, que ainda não foi identificado, foi baleado nas costas. Jucinara que estava passando pelo local levou um tiro no abdômen.
Em nota, a PM informou que uma viatura da 23ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Tancredo Neves) foi até o local e levou o policial ao Hospital Geral Roberto Santos, onde não resistiu aos ferimentos. Os feridos foram socorridos por testemunhas que estavam no local no momento do crime. O caso deve ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHHP). 

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